A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Invasores da USP tinham um bar em área ilegalmente ocupada!!! E o dia em que Nicolas, o “agredido”, chamou a PM. Ou: A disputa entre os que querem erguer e os que querem DERRUBAR a USP

REINALDO AZEVEDO
17/01/2012 às 6:27

Bem, queridos, se “eles” lá gostam de mim ou não, isso me é absolutamente irrelevante. Também é inútil me xingar e ficar imprimindo panfletos. Contestem, se conseguirem, os fatos. E é sobre fatos que venho falar aqui.

Chegou a hora de rever estas cenas. Volto em seguida.



Voltei
Não mudei de idéia. Continuo a achar que o PM foi além do razoável e fez muito mal em dar um “chega pra cá” em Nicolas Menezes Barreto, o aluno “matriculado” (sic) em Ciências da Natureza do campus da USP da Zona Leste. Além de sua reação não ter sido adequada, acabou dando um discurso a um grupo que promovia a aberta ilegalidade no campus na Zona Oeste da universidade. Setores da grande imprensa se encarregaram de transformar transgressores em heróis. Bem, chegou a hora de botar os pontos nos “is”.
E então?

É preciso dizer quem é este rapaz de coque na cabeça, que gosta do diálogo… Trata-se de um velho (literalmente para um estudante de graduação) conhecido do “movimento”. Trata-se de Rafael Alves. Publiquei aqui o seu perfil num post intitulado O Menino Rafael Alves, 29, e seus cinco processos”. Reproduzo um trecho:


“Essa criança ficou sete anos na USP sem concluir o curso de Letras, morando de graça no Crusp e comendo no bandejão a R$ 1,90. A classe operária não tem essa regalia, como sabem. Ela subsidia a pança dos folgados. A Universidade oferece almoço, janta e café da manhã. Tudo pago pelo contribuinte. Esse infante acabou jubilado. O “menino” fez o quê? Prestou vestibular de novo e voltou ao primeiro ano e agora tenta recuperar o “seu” apartamento. Quem sabe para passar os próximos oito anos na USP, morando e comendo quase de graça.”

Esse garotinho radical de 29 anos foi uma das estrelas da invasão da Reitoria e, como se nota, não mudou nem de ramo nem de perfil. Mas, afinal, o que aqueles caras faziam na área invadida? É agora que as coisas começam a se complicar um tantinho mais. Atenção! Notem que Nicolas está distante do policial, ao fundo, e lhe diz algo inaudível, ao menos para nós. Seja lá o que tenha sido, o fato é que o militar ficou furioso e acusou desacato. Mas o que era, afinal de contas, aquele local de onde o rapaz se manifestava?

O BALCÃO DE UM BAR! Isto mesmo! Naquela área invadida funcionava um troço chamado DERRUBAR. O trocadilho fica por conta da profundidade intelectual dos empreendedores. E quem apostou, vamos dizer, na livre iniciativa? Justamente Rafael Alves, aquela criança de 29 anos, sete de USP e um jubilamento, de volta à universidade em razão de um novo vestibular.

Vocês entenderam direito. Observem que, na sua conversa com o policial, Rafael argumenta que o espaço é dos estudantes… Huuummm… Naquele momento, convenha-se, pertencia ao empreendedor Rafael. E Nicolas? Ora, Nicolas trabalhava no DERRUBAR. Em seu benefício e de seu amigo, prefiro considerá-lo sócio, e não empregado, do empreendimento.

PODE NÃO PARECER, E ISSO A GRANDE IMPRENSA SONEGOU DE TELESPECTADORES E LEITORES, MAS QUEM ALI REPRESENTA O PÚBLICO É A POLÍCIA, NÃO OS “MATRICULADOS”. Pouco me importa se o “DERRUBAR” reverte o lucro para o bolso dos empreendedores ou para alguma causa nobre; em qualquer caso, o espaço público foi duplamente privatizado: a) pela invasão em si e b) pela atividade comercial ali instalada. Ah, claro! Um “bar” numa área invadida, ao arrepio da lei e de qualquer controle, não vende suco de laranja…


Quem é Nicolas
Nicolas, todos vimos, foi personagem de uma reportagem do Jornal Nacional em que, ora vejam, exige (!!!) a demissão dos dois policiais. É caracterizado como o “aluno negro” agredido por um policial. À diferença do que diz o militante de uma ONG, no entanto, não era o único do grupo segundo critérios da própria militância que chamo “racialista”. E isso é relevante. Antes, no entanto, de debater esse aspecto, quero chamar a atenção para outras coisas.

O rapaz não é um qualquer. Tanto é assim que, “matriculado” no curso de Ciências da Natureza no campus da Zona Leste, estava “trabalhando” no DERRUBAR, no campus da Zona Oeste. Trata-se de um “matriculado” comprometido com a causa. Até aí, vá lá… Mas há mais.

Lembram-se do episódio em que o aluno Rodrigo Souza Neves, membro da chapa “Reação” (que reúne não-esquerdistas e iria ganhar a eleição para o DCE, o que motivou um golpe dado pelas esquerdas), foi acusado de portar uma arma? Contei o caso aqui num post intitulado USP - Espalhem: extrema esquerda golpista cria a farsa da arma para incrimidar adversários. Pois é… Um dos protagonistas daquele episódio foi justamente Nicolas. Foi ele quem incitou alguns estudantes a tomar uma câmera das mãos de Neves, segundo o relato do próprio. Disseram-lhe que só sairia dali se a entregasse, o que caracteriza cárcere privado. Para não apanhar, o rapaz afirmou que estava armado. Vejam, então, que ironia: um companheiro de Nicolas, chamado Cesar Buno, não teve dúvida: CHAMOU A POLÍCIA!!! Vocês entenderam direito. Estes que tentam escorraçar os PMs da USP chamaram os… PMs contra seus adversários políticos. Neves e seu carro foram meticulosamente revistados. Não havia arma nenhuma, é claro! Ninguém pode ser acusado por ter recorrido a uma estratégia para não apanhar.


Racismo
Já deixei claro aqui quão ridícula é a acusação de racismo contra o policial. Nicolas não era, à diferença do que afirmou o tal Frei Davi, o único mestiço (que os militantes chamam “negro”) do grupo coisa nenhuma! O próprio Rafael se encaixaria nesse perfil, além de outro rapaz que acusa, em altos brados, o policial de racista. Por que isso é relevante? Porque parece evidente que não foi a cor da pele de Nicolas que levou, e continua injustificável, o PM a perder o controle. Ainda não sabemos o que ele disse, lá do balcão, ao soldado. Não justifica o destempero, mas circunstancia.


Golpe e eleição democrática
O DCE da USP está sendo governado por uma junta golpista.  Como as esquerdas perderiam a eleição para a chapa Reação, resolveram adiar a disputa. Assim como o episódio original do confronto entre policiais e três maconheiros tem cheiro de armação, este outro está sendo usado como peça de propaganda.

A chapa “Reação”, com certeza, vai se apresentar para a disputa. Haverá, até onde sei, uma outra, liderada pela extremíssima esquerda (PCO, Movimento Negação da Negação, LER-QI etc). Não sei se as demais correntes de esquerda se juntarão aos extremistas para fazer um fla X flu. O fato é que a “agressão a Nicolas” passou a ser uma peça de propaganda.

Bem, ninguém pode proibi-los de usar o episódio. A nossa obrigação é contar tudo para que os estudantes da USP decidam - caso não lhes seja cassado o direito de votar, como fez o DCE, liderado pelo PSOL.
É ISTO: TRATA-SE DE UMA DISPUTA ENTRE OS QUE QUEREM ERGUER E OS QUE QUEREM DERRUBAR A USP!

Decidam, uspianos!
Texto publicado originalmente às 19h15 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

USP: de um amigo no Facebook

"Meu mais profundo e sincero desprezo pela escoriazinha que não disse uma palavra quando assaltantes/traficantes mataram - peraí: MATARAM! - um estudante da FEA na USP e agora se revolta com o destempero (ilegal e inadmissível) de um PM por lá. Obrigado a vocês por confirmarem em público o quanto vale a consciência social de vocês."

E ele arremata:

"Assaltante/assassino/traficante = companheiro."

Simplesmente perfeito.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

USP é a 232ª do Mundo




Uploaded by on Apr 30, 2011
http://www.youtube.com/user/MrJPMadeira
True OutSpeak de 20 de Abril de 2011
Talk show de Olavo de Carvalho
Sinceridade de fato
Segundas-feiras, 20h00, em
www.blogtalkradio.com/olavo
Site:
http://www.olavodecarvalho.org

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(Clip extraído do programa levado ao ar em 20 de Abril de 2011)
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Sobre o programa, por Olavo de Carvalho

Este programa nasceu da pura impossibilidade de responder por escrito a dezenas de e-mails que me chegam por dia com consultas sobre livros, estudos, política, religião e filosofia. Dirige-se especialmente aos leitores e alunos que me enviam esses pedidos, mas receberá com prazer os ouvintes novos. As perguntas poderão continuar sendo enviadas por e-mail, mas para consultas ao vivo haverá uma linha telefônica aberta durante o programa. O telefone é 646-915-8924 (antecedido, é claro, do prefixo 00211 se você estiver ligando do Brasil). Se você tem Skype, Voip ou programa similar, pode ligar baratinho. Sua voz entrará no ar automaticamente. Os únicos riscos que você corre ao enviar perguntas são os seguintes: (1) Você pode ter de esperar na linha, pois o canal só admite cinco ouvintes no ar de cada vez; (2) ao ser atendido, você pode talvez receber a resposta mais curta e mais infalível que conheço: "Não sei." Tenho um amor especial por essa frase, tão raramente usada pelas classes falantes no Brasil.

As transmissões, de uma hora de duração cada, serão feitas do meu escritório na periferia de Richmond, Estado da Virginia, EUA, e diretamente da mesa que você está vendo na fotografia. A linguagem e o estilo do programa serão exatamente iguais aos de minhas conversas domésticas com meus alunos, amigos e familiares, sem nenhuma estilização radiofônica. Os ouvintes americanos receberão respostas diretamente em inglês, que em seguida traduzirei para o português, mas, é claro, nesta fase do programa não haverá tempo para traduzir em inglês todas as respostas dadas aos ouvintes brasileiros. Perguntas atrevidas e insultuosas -- espero que não venha nenhuma -- serão respondidas com palavrões ou ignoradas. Perguntas que exijam pesquisa mais aprofundada do assunto ficarão para a semana seguinte. Nesta fase, o programa será transmitido uma vez por semana, sempre no mesmo horário. Se houver excesso de perguntas, farei transmissões extraordinárias cuja data será anunciada no programa de segunda-feira.


Contrastando com a imagem de rancoroso ferrabrás que seus adversários quiseram sobrepor à sua figura autêntica, Olavo de Carvalho é reconhecido, entre quem desfruta de seu convívio, como homem de temperamento equilibrado e calmo mesmo nas situações mais difíceis, e como alma generosa capaz de levar às últimas conseqüências, mesmo em prejuízo próprio, o dom de amar, socorrer e perdoar.

Roxane Andrade de Souza

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O vídeo real vazou: Kim Jong Il dead Video of grief and mass hysteria in North Korea




Uploaded by on Dec 23, 2011
Vazou para a internet o que foi dito para os coreanos quando morreu o ditador do cabelo lindão, Kim Jong Il. Tentaram enganar todo o mundo livre, vejam no link a seguir como editaram o vídeo acima, que é DE FATO o original, com legandas e tudo mais.

Vídeo editado: http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annotation_735211&feature=iv&a...

O imbecil juvenil




Uploaded by on Dec 23, 2011
O imbecil juvenil, por Olavo de Carvalho
Jornal da Tarde, São Paulo, 3 abr. 1998


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O imbecil juvenil
Jornal da Tarde, São Paulo, 3 abr. 1998

Já acreditei em muitas mentiras, mas há uma à qual sempre fui imune: aquela que celebra a juventude como uma época de rebeldia, de independência, de amor à liberdade. Não dei crédito a essa patacoada nem mesmo quando, jovem eu próprio, ela me lisonjeava. Bem ao contrário, desde cedo me impressionaram muito fundo, na conduta de meus companheiros de geração, o espírito de rebanho, o temor do isolamento, a subserviência à voz corrente, a ânsia de sentir-se iguais e aceitos pela maioria cínica e autoritária, a disposição de tudo ceder, de tudo prostituir em troca de uma vaguinha de neófito no grupo dos sujeitos bacanas.

O jovem, é verdade, rebela-se muitas vezes contra pais e professores, mas é porque sabe que no fundo estão do seu lado e jamais revidarão suas agressões com força total. A luta contra os pais é um teatrinho, um jogo de cartas marcadas no qual um dos contendores luta para vencer e o outro para ajudá-lo a vencer.

Muito diferente é a situação do jovem ante os da sua geração, que não têm para com ele as complacências do paternalismo. Longe de protegê-lo, essa massa barulhenta e cínica recebe o novato com desprezo e hostilidade que lhe mostram, desde logo, a necessidade de obedecer para não sucumbir. É dos companheiros de geração que ele obtém a primeira experiência de um confronto com o poder, sem a mediação daquela diferença de idade que dá direito a descontos e atenuações. É o reino dos mais fortes, dos mais descarados, que se afirma com toda a sua crueza sobre a fragilidade do recém-chegado, impondo-lhe provações e exigências antes de aceitá-lo como membro da horda. A quantos ritos, a quantos protocolos, a quantas humilhações não se submete o postulante, para escapar à perspectiva aterrorizante da rejeição, do isolamento. Para não ser devolvido, impotente e humilhado, aos braços da mãe, ele tem de ser aprovado num exame que lhe exige menos coragem do que flexibilidade, capacidade de amoldar-se aos caprichos da maioria - a supressão, em suma, da personalidade.

É verdade que ele se submete a isso com prazer, com ânsia de apaixonado que tudo fará em troca de um sorriso condescendente. A massa de companheiros de geração representa, afinal, o mundo, o mundo grande no qual o adolescente, emergindo do pequeno mundo doméstico, pede ingresso. E o ingresso custa caro. O candidato deve, desde logo, aprender todo um vocabulário de palavras, de gestos, de olhares, todo um código de senhas e símbolos: a mínima falha expõe ao ridículo, e a regra do jogo é em geral implícita, devendo ser adivinhada antes de conhecida, macaqueada antes de adivinhada. O modo de aprendizado é sempre a imitação - literal, servil e sem questionamentos. O ingresso no mundo juvenil dispara a toda velocidade o motor de todos os desvarios humanos: o desejo mimético de que fala René Girard, onde o objeto não atrai por suas qualidades intrínsecas, mas por ser simultaneamente desejado por um outro, que Girard denomina o mediador.

Não é de espantar que o rito de ingresso no grupo, custando tão alto investimento psicológico, termine por levar o jovem à completa exasperação impedindo-o, simultaneamente, de despejar seu ressentimento de volta sobre o grupo mesmo, objeto de amor que se sonega e por isto tem o dom de transfigurar cada impulso de rancor em novo investimento amoroso. Para onde, então, se voltará o rancor, senão para a direção menos perigosa? A família surge como o bode expiatório providencial de todos os fracassos do jovem no seu rito de passagem. Se ele não logra ser aceito no grupo, a última coisa que lhe há de ocorrer será atribuir a culpa de sua situação à fatuidade e ao cinismo dos que o rejeitam. Numa cruel inversão, a culpa de suas humilhações não será atribuída àqueles que se recusam a aceitá-lo como homem, mas àqueles que o aceitam como criança. A família, que tudo lhe deu, pagará pelas maldades da horda que tudo lhe exige.

Eis a que se resume a famosa rebeldia do adolescente: amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama.

Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não-ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidade do século: nazismo, fascismo, comunismo, seitas pseudo-religiosas, consumo de drogas. São sempre os jovens que estão um passo à frente na direção do pior.

Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum.

Caricatura de ensino

GAZETA DO POVO
Publicado em 10/11/2011 | CARLOSGAZETA@HSJONLINE.COM

Carlos Ramalhete

A universidade é um dos muitos legados da Idade Média ainda mais ou menos presentes entre nós. A universidade medieval era um centro de saber, absoluta e completamente autônomo, regido por leis próprias, e totalmente orientado para o estudo.

Entre outras práticas típicas de tempos mais civilizados, poderíamos citar as “disputações”, quando os professores respondiam publicamente a quaisquer perguntas que lhes fossem feitas: “pegadinhas”, perguntas sérias, perguntas difíceis... As respostas de São Tomás de Aquino até hoje são tema de estudo de filósofos sérios, mas confesso que tenho dificuldade em imaginar algo semelhante ocorrendo numa universidade de hoje em dia.

A universidade, hoje, é em alguns campos um curso técnico; em outros – especialmente nas Ciências Humanas – é pura palhaçada travestida de ensino. Para piorar, a ideia absurda de que todos seriam intelectualmente capazes de cursar estudos superiores – tão sem sentido quanto a ideia de que todos seriam fisicamente capazes de ganhar uma maratona – arrastou o nível de grande parte dos cursos para níveis abismais.

Para ficar apenas na minha área, o ensino de Filosofia nas universidades brasileiras – especialmente na USP, este buraco negro acadêmico – é uma triste caricatura, consistindo basicamente de um longo discurso ideológico de esquerda aplicado a um curso incompleto de História da Filosofia, ignorando quase que completamente o período escolástico, que assentou as bases da nossa civilização, que fundou as ciências, que orienta o Direito etc.

A essa caricatura de ensino, vem juntar-se agora uma mais triste ainda caricatura de autonomia universitária, expressa nos protestos dos estudantes da USP contra a presença da polícia no interior do campus, atrapalhando-lhes o sagrado direito de estudar em primeira pessoa os efeitos da maconha sobre o sistema nervoso. A quem não o conhece, vale observar que o campus é maior que muitas cidades, com vastas áreas ermas, onde estupros já foram, antes da presença da PM, relativamente comuns.

O discurso ideológico que orienta o que passa por formação dos alunos de Ciências Humanas, paralisado nos anos 70, torna ainda mais farsesco o protesto, com acusações absurdas de “ditadura” e protestos contra a “tortura” de serem conduzidos à delegacia de ônibus. A invasão e depredação da Reitoria – por sua vez um cabide de empregos – são apenas a cereja do bolo.

Mais valeria fechar a FFLCH e ampliar o curso de Engenharia. Pelo menos ali alguém estuda alguma coisa.